Enchantments - Prose and Poetry

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Não Te Receias de Mim...


Pois eu sou apenas um pássaro,
À espera do crepúsculo tropical.
Sou um albatroz que pesca o seu peixe,
Envolvido em seu trabalho inglório.
Ou um pelicano que namora o Sol,
E que não tem medo do quebra-mar.
Portanto, não te receias de mim,
Quiçá eu seja apenas um sargaço marinho,
Que navega de acordo com a correnteza,
E que tem por destino as areias da praia.
Porventura eu seja apenas a brisa do mar,
Ao mesmo tempo tão presente na orla
E tão invisível.

Concerto ao Maledicente


Quando a boca suja e corruptora,
Desejar-te a ruína moral,
E depreciar a tua reputação,
Com palavras escuras,
Não ligas, não te importas,
Canta para o maledicente
A Opereta da Piedade.
E pede que toquem
O Concerto da Indiferença.
Só conhece a embarcação
Quem nela navega.

Lembrar-me-ei de Ti...


Mão estendida, solícita,
Quando a colheita chegar,
E eu puder usufruir da lavoura,
Nela estão os meus sonhos,
Tão açoitados, tão ofendidos,
Desconfigurados pelo mundo,
Mas, ainda assim, subsistem,
Lembrar-me-ei de ti, filantropo,
Mão estendida a minha pessoa,
Honrando-me como ser humano.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Poeta Rupreste...


Silvestre, agreste...
Do pomar da Natureza,
Usufruo intensamente.
Mas, ainda assim, confesso:
Sou apenas um espelho
Rudimentar, tosco,
A espelhar o que é belo,
E o meu artifício são os versos,
Revoada de palavras ao espaço,
A querer, presunçosamente,
Abarcar o inarbarcável.

Cancioneiro


Seria eu um cancioneiro da Natureza?
Sempre imberbe, sempre altaneira.
Seria eu um fortuito cancioneiro?
À cantar o mar, o campo e a floresta,
Quiçá eu seja, provavelmente.
Mas com a mesma paixão que teria
Ao cantar uma serenata à amada

Disponho-me...


Ao despropósito, ao despalpério,
Ao desfrute dos insensatos,
Que preferem contemplar a Lua
A contar notas gordas de dinheiro.
Que preferem ver o nascer do Sol
A comprar e a vender ações da bolsa.
Que preferem a púrpura do crepúsculo,
Ao cartão de crédito com duas bandeiras.
Disponho-me às veredas do desimportante,
Pois eu bebo da fonte do imperecível
E resido na casa chamada:
Aformoseamento.