Enchantments - Prose and Poetry

quinta-feira, 21 de março de 2013

Rio de Sombrinhas e de Guarda-Chuvas...




Coloridas são as lonas em movimento constante

Seguindo o fluxo da vida e dos compromissos

Enquanto o céu chora copiosamente, nesse instante,

E as pessoas escurecem sobre as suas sombrinhas

E, assim, a estranha circulação desce a rua, infante,

Para, lá embaixo, desembocar na foz limpa, seca e segura...

Das preocupações.  

Deixem esse Poeta Passar...




Pois o mundo espera, ansioso, que eu possa cantá-lo
Deixem esse poeta seguir caminho, deixem-me!
Ora, por favor, não atrapalhem o meu trajeto
Pois esse poeta quer ver a flor, quer ver o bem-te-vi,
Contemplar as ruas, as praças, os bares, as cafeterias,
Adentrar aos shoppings (desculpem-me se incomodo)
Desculpem-me, caros seguranças, mas sou poeta!
Autorizem-me entrar com o meu chapéu panamá
E assistir de perto a liberdade, as pessoas, a vida
Pois, eu sinto muito, mas não tenho medo de cara feia
Porque as minhas origens e a minha formação me impedem
De me intimidar com os pobres agentes do preconceito!
Então, por gentileza, hajam com alguma prudência
E deixem esse poeta passar em paz.

domingo, 17 de março de 2013

A Ponte Sobre o Rio Capibaribe


 

As tuas tranças de metal que cortam o leito do rio
Embelezam a cidade de Manuel Bandeira
E a tua calçada serve de percurso a pessoas atarefadas,
Que se esquecem de olhar a tua beleza e antiguidade
Nem mesmo o teu meio-irmão, o rio, escapa dessa cegueira
Apenas os pássaros, o sol, e o pequeno manguezal te louvam
E o sol te banha com as águas das luzes e das cores,
Batizando-te todos os dias, valorosa ponte velha. 
 

terça-feira, 5 de março de 2013

Sobre o Peitoril da Janela...


 

Esconde-te, toda nua, queres ver a rua movimentada

Mas não queres ser vista {ou será que queres?}

Sobre o peitoril da janela antiga, estás paralisada,

Contemplas o mundo, os homens, a agitação

Sobre o peitoril tu colocas a tua chaleira enfumaçada...

Pois acordaste querendo ser desejada {mulher solitária}

Sobre o peitoril da janela, estás aí, escondida e excitada,

Sonhando que alguém lá embaixo te tire daí, em breve.

 

 

Bancos Tristes

 
 
 

Depois da chuva, refletem as luzes ao redor

Estão molhados, coberto pelas folhas do outono

Bancos tristes, assim como muitos homens

Estão aí, rodeados de cores, rodeados de prédios,

Rodeados de vida, mas tão sós, mas tão tristes

Sim, bancos tristes, bancos homens, bancos bancos.