Enchantments - Prose and Poetry

domingo, 28 de maio de 2017

Ao Contemplar o Mar, de Manhã...


Percebi que a praia dispunha de dois Sóis,
Não sabia o motivo desse fenômeno,
Quiçá fosse a presença de algum cometa
Cruzando o céu azul dos trópicos,
Ou mesmo um satélite artificial
Que estivesse mais próximo da Terra,
Porventura, poderia ser o Apocalipse
Com toda as suas Luzes Divinas.
Contudo, uma criança veio me dizer
Que aquilo não passava apenas de uma mulher
Sobrevoando, de asa delta, a colina, a baía e a praia,
E que de tão luminosa e repleta de beleza
Alumiou a natureza e a vida.  

Quando Te Sentas no Cais, Morena...


E presenteias a paisagem litorânea com os teus olhos de timborana,
Abarcando a baía, as areias, a colina, o farol e o mar,
E fazes cessar as ondas, a brisa do leste e os raios de sol da aurora,
Com o teu sorriso de sete estrelas e de sete galáxias,
Todos os versos que eu houvera pescado na beira do mar se esvaem,
Fogem do meu bloco, tal qual um cardume de uma cesta.
Quando te sentas no cais, morena,
Tudo se desconstrói a um só golpe do tempo e da vida,
E te aproprias de tudo que é dotado de beleza,
E rouba-me os versos do Sol, da Lua e dos pássaros,
Deixando-me nu de qualquer lirismo que disponho,
E ofertando-me, unicamente e piedosamente,
A honrosa regalia de te ter
Ao meu lado.

A Brisa do Mar me Disse...


Que tu vens vestida de rosas vermelhas,
Acompanhada de uma comitiva de borboletas azuis,
E sob uma opereta de bem-te-vis.
A cada passo que darás na praia, na maré baixa,
Formar-se-ão tapetes de folhas outonais,
Das árvores que te servem como testemunhas.
E quando sorrires para mim e a paisagem,
Acender-se-á um farol potente na praia,
Que alumiará toda a baía e todos os juízos
E que confundirá até os barco em alto-mar.
Mas quando o teu cheiro se mostrar presente,
O próprio tempo cesará para te prestar saudação,
Pois não existirá mais cheiro algum além do teu,
Mulher Intempérie.   

sábado, 25 de março de 2017

Intento


O meu veleiro de versos
Cruza todos os mares
E âncora, mansamente,
Nos corações.

Queixa


Tu, ninfa,
Que queres desse poeta?
Venci o cíclope
E o minotauro,
Mas não a ti! 

Arboreto de Sonhos

Carrego comigo
Uma pena,
Um tinteiro,
Um pergaminho
E um arboreto de sonhos. 

O Sino...


É a testemunha da mulher que alumiou a baía.
- O Sino -
Ele a viu, nos intervalos entre uma missa e outra,
Enquanto o sacristão acendia um cigarro qualquer,
E no momento em que o padre lia um jornal.
- O Sino -
Ele, o sino, apreciou-a, em todo o seu brilho,
Enquanto ela caminhava de bikini naquela praia,
Incandeiando toda as criaturas marinhas.
- O Sino -
Então apaixonou-se, queria ir ao encontro dela,
Contudo, estava preso por parafusos e porcas,
E predestinado a ficar para sempre naquela torre.
- O Sino -
Depois daquele dia, não mais tocou.