Enchantments - Prose and Poetry

domingo, 9 de julho de 2017

Diz-me, Caranguejo Azul...


Se nessas terras que se encontram na costa,
Já viste mulher mais bela que a morena
Que pescou o meu coração
Com a rede do amor e da beleza,
Diz-me, caranguejo azul,
Serdes sincero, por favor,
Se no mar se encontra criatura mais bela
Do que a morena que me abarcou os sentidos,
Que me fez jogar a minha âncora e baixar as velas,
Diz-me, caranguejo azul,
O dia finda e o crepúsculo chega,
Se diante dos teus olhos antenas,
Já viste algo mais belo do que a morena rendeira,
Que fez renda do meu coração
E que me inspirou essa canção.

Nessa Noite de São João...


As fogueiras estão acesas,
Os fogos estalam nas ruas,
As quadrilhas alegram-se,
Há a pamonha e a canjica,
Há o milho assado no fogo,
Há as memórias da infância:
A casa dos meus avós,
As traquinagens infantis,
Os tempos áureos da vida,
A fumaça do tempo levou tudo.
Mas guardo em mim o passado,
Como uma lembrança junina.
Nessa noite de São João,
A metrópole segue indiferente,
Com os seus afazeres modernos.
E eu, poeta, celebro as reminiscências,
Que estalam em mim como rojões,
A fim de marcarem a data com poesia
E com a quermesse resgatada no tempo.

Alumiamento


Na praia, caminhaste comigo,
Apesar do mundo,
Apesar dos afazeres,
Na praia, ofereceste-me o teu beijo,
O teu pomar de carinhos,
O teu arboreto de sorrisos,
Na praia, contemplamos as estrelas,
E falaste das tuas irmãs em brilho,
E alumiaste para sempre a minha vida.

domingo, 28 de maio de 2017

Ao Contemplar o Mar, de Manhã...


Percebi que a praia dispunha de dois Sóis,
Não sabia o motivo desse fenômeno,
Quiçá fosse a presença de algum cometa
Cruzando o céu azul dos trópicos,
Ou mesmo um satélite artificial
Que estivesse mais próximo da Terra,
Porventura, poderia ser o Apocalipse
Com toda as suas Luzes Divinas.
Contudo, uma criança veio me dizer
Que aquilo não passava apenas de uma mulher
Sobrevoando, de asa delta, a colina, a baía e a praia,
E que de tão luminosa e repleta de beleza
Alumiou a natureza e a vida.  

Quando Te Sentas no Cais, Morena...


E presenteias a paisagem litorânea com os teus olhos de timborana,
Abarcando a baía, as areias, a colina, o farol e o mar,
E fazes cessar as ondas, a brisa do leste e os raios de sol da aurora,
Com o teu sorriso de sete estrelas e de sete galáxias,
Todos os versos que eu houvera pescado na beira do mar se esvaem,
Fogem do meu bloco, tal qual um cardume de uma cesta.
Quando te sentas no cais, morena,
Tudo se desconstrói a um só golpe do tempo e da vida,
E te aproprias de tudo que é dotado de beleza,
E rouba-me os versos do Sol, da Lua e dos pássaros,
Deixando-me nu de qualquer lirismo que disponho,
E ofertando-me, unicamente e piedosamente,
A honrosa regalia de te ter
Ao meu lado.

A Brisa do Mar me Disse...


Que tu vens vestida de rosas vermelhas,
Acompanhada de uma comitiva de borboletas azuis,
E sob uma opereta de bem-te-vis.
A cada passo que darás na praia, na maré baixa,
Formar-se-ão tapetes de folhas outonais,
Das árvores que te servem como testemunhas.
E quando sorrires para mim e a paisagem,
Acender-se-á um farol potente na praia,
Que alumiará toda a baía e todos os juízos
E que confundirá até os barco em alto-mar.
Mas quando o teu cheiro se mostrar presente,
O próprio tempo cesará para te prestar saudação,
Pois não existirá mais cheiro algum além do teu,
Mulher Intempérie.   

sábado, 25 de março de 2017